Novo Tempo
Novo vento pela frente, novo tempo pra mudar.
Como um caderno novo que se abre à espera de novas letras.
Como um novo ano que se estreia à espera de marcar.
Com um novo olhar à espera de não esperar.

Imaginem o vosso ambiente de trabalho sem rei nem roque, onde cada um faz o que lhe dá na real gana. Depois transportem isso para milhares de salas de aula e percebam como será ensinar uma conta de dividir a crianças que olham pela janela, que foram à casa de banho e se perdem pelo caminho, que têm hiperactividade, síndromes de Asperger, autismo e que estão ali no "ensino inclusivo" a fazer de conta que são como as outras quando não são. O tempo para ensinar é o mesmo, os objectivos a atingir são os mesmos, mas a realidade mudou: não há milagres.
Para fazer uma conta de dividir, as crianças ( as minhas, as suas, as crianças que estudam em Portugal) têm de saber onde colocar os números, mentalmente rever a tabuada para encontrar os algarismos do quociente, efectuar a multiplicação de cabeça, subtrair mentalmente, baixar o algarismo seguinte, repetir os passos até chegar ao resultado final. Difícil não é? Pois é, sobretudo perante uma multidão que garante que aquilo não serve para nada e quando uma sociedade inteira, uma época inteira premeia a chico espertice, a corrupção, a cunha e a ausência de mérito. Esforço para quê?
Cansados? Com razão. Mas exausto está o país que olha de braços caídos gerações trituradas nesta máquina de produzir portugueses ignorantes.
O mesmo país que irá novamente este ano votar em mais do mesmo.
Oremos.

Ter a quem amar.
Em tempos difíceis, a verdade limpa das coisas de sempre, as pequenas, as que importam, ficam à nossa frente.
E pensamos que afinal é só isto, a Vida.
Estar aqui.