Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Novo Tempo

É tempo de mudar.
Novo vento pela frente, novo tempo pra mudar.

Como um caderno novo que se abre à espera de novas letras.

Como um novo ano que se estreia à espera de marcar.
Com um novo olhar à espera de não esperar.

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Mãe


Todos os dias tenho saudades.
Tanto mundo por contar.
Todos os silêncios que faltaram.
A Vida e tudo à volta.
O difícil que foi.
O vazio que é.
O lugar sem a luz.
A memória que sopro para não se apagar do coração dos outros.
Para sempre nos nossos corações.

Segunda-feira, Agosto 24, 2009

Política

A política é outra vez numa frivolidade. Jogos de salão para entretar a corte, enquanto a vida, cá fora, passa.

Não têm pó branco na cara, ou pintas postiças sobre o lábio. Nem sequer cabeleiras brancas de infindáveis caracóis empoados. Muito menos laços de veludo derramados sobre sapatos de fivela.

Mas haverá assim tantas diferenças entre a inútil corja que ululava nos corredores do poder de outrora e a actual politicagem infestada de parolos ávidos de "coisas de rico"?

Precisamos mesmo desta gente?

Sábado, Junho 13, 2009

A história das coisas


Eu sei que estamos todos cansados dos recados anti-consumo e pró-verde e dedos apontados a todos os nossos pequenos e grandes maus hábitos.


Mas às vezes vale a pena ver e ouvir.


A seguir podemos continuar como se não soubéssemos.


Ou não.



Acima do seu Tempo




António Barreto fez um discurso notável no 10 de Junho.







Nada como lê-lo na íntegra.







A única coisa que falta no texto é a menção comovente que fez, logo no início, a João Bénard da Costa, este tributo que fazemos aos que já partiram, assegurando a eternidade que nos é possível.



A da memória nos nossos corações.

http://o-jacaranda.blogspot.com/2009/06/o-exemplo.html

Quinta-feira, Junho 11, 2009

Vale a pena ler

Explicações

Diz o DN de hoje que os Centros de Explicações estão lotados com inscrições de última hora por causa dos exames de Matemática e e Física de 12º ano.

Dei explicações de Matemática de 12º ano a dezenas de alunos e por isso sei.

Estas inscrições em cima da hora equivalem a segurar a mão de um doente terminal: conforta, mas não cura.

Segunda-feira, Junho 01, 2009

Males da Educação 2

Um em cada 4 alunos teve um "Plano de Recuperação" na Primária (vulgo 1º ciclo). Tudo para combater os chumbos e o abandono escolar.
Mas será que está tudo tão diferente que 25 % das crianças em Portugal não conseguem aprender o que é suposto em 4 anos sem a "almofadinha do Plano de Recuperação"?
O que é que mudou?
Entre muitas coisas ( aceitam-se contributos):
  • A noção de que a escola implica esforço.
  • A missão da Escola ( agora tem de se ensinar a ler, escrever, contar, mais uns rudimentos de História, Geografia e Ciências tal como antes; mas ainda, expressões, inglês, informática, formação cívica, música, ginástica e mais umas botas). E ainda apoio psicológico, social e de integração.
  • As vocações. Dantes ia para Professor quem gostava. Agora vai quem quer a miragem do "emprego para a vida". Sem filtros como noutros países - que incluem entrevistas e avaliações" - cai nesta profissão de tudo um pouco. Resultados à vista.
  • A disciplina. No espaço de uma aula é preciso sentá-los, mantê-los atentos, cooperantes, acudir a 25 ritmos e necessidades diferentes por sala e ainda, claro, ensinar. Se isto já era difícil quando os Professores tinham autoridade, imagine-se agora, quando anos de desvario no Ministério da Educação os tornaram no bombo da festa a abater.

Imaginem o vosso ambiente de trabalho sem rei nem roque, onde cada um faz o que lhe dá na real gana. Depois transportem isso para milhares de salas de aula e percebam como será ensinar uma conta de dividir a crianças que olham pela janela, que foram à casa de banho e se perdem pelo caminho, que têm hiperactividade, síndromes de Asperger, autismo e que estão ali no "ensino inclusivo" a fazer de conta que são como as outras quando não são. O tempo para ensinar é o mesmo, os objectivos a atingir são os mesmos, mas a realidade mudou: não há milagres.

Para fazer uma conta de dividir, as crianças ( as minhas, as suas, as crianças que estudam em Portugal) têm de saber onde colocar os números, mentalmente rever a tabuada para encontrar os algarismos do quociente, efectuar a multiplicação de cabeça, subtrair mentalmente, baixar o algarismo seguinte, repetir os passos até chegar ao resultado final. Difícil não é? Pois é, sobretudo perante uma multidão que garante que aquilo não serve para nada e quando uma sociedade inteira, uma época inteira premeia a chico espertice, a corrupção, a cunha e a ausência de mérito. Esforço para quê?

  • A formação dos professores. do antigo Magistério passou-se à febre das Ciências da Educação nas ESES. Já repararam que no ensino privado a maioria das professoras do 1º ciclo é da velha guarda? Será coincidência?
  • A ausência de rotinas. Não há rotinas na Educação desde 74. Tudo muda ano a ano. O nome das disciplinas, os programas. As regras ( até há pouco tempo entrava-se numa Escola Superior de Educação com média de 2 valores... e num curso de Engenharia sem Matemática no Secundário), os manuais, os professores eternamente de mala às costas em nome da "igualdade à força", o regime de habilitações. Não é por acaso que as escolas públicas de sucesso têm um corpo docente estável. A forma de transitar de ano, as regras do acesso ao superior, tudo muda menos o descontentamento que é geral...

Cansados? Com razão. Mas exausto está o país que olha de braços caídos gerações trituradas nesta máquina de produzir portugueses ignorantes.

O mesmo país que irá novamente este ano votar em mais do mesmo.

Oremos.

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Males da Educação

Diz a sondagem da Visão de hoje que os males da Educação são culpa dos alunos: não querem estudar.

Eu percebo-os.
Tirar um curso para ficar no desemprego é capaz de não valer a pena...

Quinta-feira, Maio 21, 2009

José Carlos

O objecto

"Há que dizer-se das coisas
o somenos que elas são.
Se for um copo é um copo
se for um cão é um cão.
Mas quando o copo se parte
e quando o cão faz ão ão?
Então o copo é um caco
e um cão não passa dum cão.

Quatro cacos são um copo
quatro latidos um cão.
Mas se forem de vidraça
e logo forem janela?
Mas se forem de pirraça
e logo forem cadela?

E se o copo for rachado?
E se o cão não tiver dono?
Não é um copo é um gato
não é um cão é um chato
que nos interrompe o sono.

E se o chato não for chato
e apenas cão sem coleira?
E se o copo for de sopa?
Não é um copo é um prato
não é um cão é literato
que anda sem eira nem beira
e não ganha para a roupa.

E se o prato for de merda
e o literato for de esquerda?
Parte-se o prato que é caco
mata-se o vate que é cão
parte prato sape gato
vai-te vate foge cão

Assim se chamam as coisas
pelos nomes que ela são."

José Carlos Ary dos Santos

Terça-feira, Maio 19, 2009

Educação Sexual na Escola




Há quase 20 anos que acompanho a novela da Educação Sexual na Escola.


O assunto é assunto quando os jornais o resolvem chamar à primeira página. Pobre país ao sabor de critérios editoriais...

Há no entanto questões que passam sistematicamente ao lado da discussão e que alimentam equívocos:

Estudos provam que nos países onde a ES foi implementada têm idades de início de actividade sexual mais tardio; Daniel Sampaio já disse isto várias vezes mas a imprensa teima em ignorar; era interessante divulgar esses estudos para acabar com o argumento de que introduzir o tema nas escolas é empurrar as crianças para um início precoce da sua vida sexual; que Pais perante a evidência de que a ES protege os seus filhos - de gravidezes adolescentes e de doenças sexualmente transmissíveis - quererão continuar com a cabeça enterrada na areia?

A obrigatoriedade do tema ser tratado na Escola esbarra em sectores conservadores da sociedade e muitos pais; mas então, os pais que assinem um termo de responsabilidade, comprometendo-se a nunca recorrer ao Serviço Nacional de Saúde para resolver as ditas gravidezes indesejadas ou as DST; se querem o direito a escolher para os seus filhos o risco, então assumam o dever de o reparar sem que tenhamos todos nós -os contribuintes -de o suportar...
E já agora escolham também se querem que os seus filhos tenham Matemática, essa coisa chata que só serve para tirar negativas e cuja utilidade está por provar...

Os professores resistem à Educação Sexual na Escola; ao contrário dos médicos, enfermeiros e técnicos de acção social não assistem ao resultado da falta de Educação Sexual : é nos hospitais que se se vê a indigência educativa nesta área, as vidas ameaçadas, os futuros comprometidos.
Percebo os professores, claro que os percebo. Também dei aulas de Ciências e o sistema reprodutor humano. Mas na minha formação de base estudei Reprodução tempo suficiente para falar sobre o tema sem corar perante uma turma de adolescentes de um metro e oitenta que nos perguntam: E como foi a sua primeira vez stôra?...

A maioria das barreiras seria eliminada se fossem técnicos de Saúde a dar as aulas de ES; mas estará o Minsitério da Saúde disposto a pagar a conta desta tarefa?

E, fazendo à americana, um resumo no final:

O jornalismo de rosto humano é o que serve as pessoas: ir ao fundo das questões é o único formato aceitável.

Convoquem as igrejas e os pais conservadores para as equipas que recebem jovens para abortar ou com DST: talvez a realidade faça efeito.

Não brinquem com a Escola, é um assunto sério.

E eu tenho duas filhas em Portugal...

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Pequenas coisas


As pequenas coisas povoam os dias.

O que eu gostava de ter sabido há vinte anos


Que a vida é curta.

Que nos momentos muito difíceis muito pouca gente nos abraça.

Que as coisas realmente importantes são poucas.

Que para mudar o mundo é preciso sermos nós a dar o primeiro passo.

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Eu já nem digo bom senso e sensibilidade

Já só se pede um bocadinho de vergonha na cara.

Em Inglaterra um mega escândalo mostra como os dinheiros públicos são utilizados para pagar despesas pessoais dos políticos. Gosto especialmente do requinte mesquinho da deputada que pediu o reembolso de 87 cêntimos gastos em duas latas de comida para cão ( Visão, pág. 66)

Por cá temos o financiamento em dinheiro vivo das campanhas.

É como diz a Inês Pedrosa: Votem uns nos outros...

Sábado, Dezembro 13, 2008

Alegrias vedadas



A pessoas que roubam para ter um dos 10 mercedes mais caros em portugal.

Terça-feira, Novembro 04, 2008

Olhar para longe


Tudo e todos para nada, coisa nenhuma

O que queria eu dizer-vos?

A tudo e a todos que coisa nenhuma quase nada vale.

Esmagados pela mísera condição de pessoas, sopro de vida que anima uma pouca de matéria, que mais sobra, para onde valerá a pena levantar os olhos, senão para longe?

E deixá-los cair por sobre os que amamos, pobre condição de ser pessoa num mundo triste para tantos que não ousam saber que a felicidade existe?

A miragem da felicidade que a tantos persegue, a tantos engana como se houvesse um vale encantado onde, transposta a inacessível entrada, nos trouxesse para sempre uma espécie de bem aventurança, a miragem que empurra milhões para os dias perseguidos pelo rolo compressor do outro lado do espelho - as coisas que não precisamos, as vidas postiças que gastam o sangue e o nervo e o brilho e o génio e o tempo e a vida de tantos que assim queimam o fósofora da vida.

E depois.

Quando o caixão finalmente desce à terra o que sobra?

O lugar na memória dos outros.

Essa espécie de eternidade.

Quem seremos na memória dos outros quando chegar a nossa vez?

Uma dor fininha, a garganta estrangulada de dor, ou apenas um nome vago?

Depende de nós.

Agora.

Quinta-feira, Outubro 16, 2008

A minha loja favorita

Quarta-feira, Outubro 15, 2008

A crise explicada aos pequeninos

Estava-se no Outono e os Índios de uma reserva americana perguntaram ao novo Chefe se o Inverno iria ser muito rigoroso ou se, pelo contrário, poderia ser mais suave.
Tratando-se de um Chefe Índio mas da era moderna, ele não conseguia interpretar os sinais que lhe permitissem prever o tempo, no entanto, para não correr muitos riscos, foi dizendo que sim senhor, deveriam estar preparados e cortar a lenha suficiente para aguentar um Inverno frio.
Mas como também era um líder prático e preocupado, alguns dias depois teve uma ideia. Dirigiu-se à cabine telefónica pública, ligou para o Serviço Meteorológico Nacional e perguntou:
"O próximo Inverno vai ser frio?"
-"Parece que na realidade este Inverno vai ser mesmo frio" respondeu o meteorologista de serviço.
O Chefe voltou para o seu povo e mandou que cortassem mais lenha.

Uma semana mais tarde, voltou a falar para o Serviço Meteorológico:
"Vai ser um Inverno muito frio?"
"Sim," responderam novamente do outro lado, "O Inverno vai ser mesmo muito frio".
Mais uma vez o Chefe voltou para o seu povo e mandou que apanhassem toda a lenha que pudessem sem desperdiçar sequer as pequenas cavacas.

Duas semanas mais tarde voltou a falar para o Serviço Meteorológico Nacional:
"Vocês têm a certeza que este Inverno vai ser mesmo muito frio?"
"Absolutamente" respondeu o homem "Vai ser um dos Invernos mais frios de sempre."

"Como podem ter tanto a certeza?" perguntou o Chefe.

O meteorologista respondeu "Os Índios estão a aprovisionar lenha que parecem uns doidos."

É assim que funciona o mercado de acções...

Domingo, Setembro 21, 2008

A beleza do mundo


Pode ser só um campo dourado ao final da tarde.

Pode ser.


Afinal as pequenas grandes coisas são as mesmas para todos, em qualquer sítio do mundo.

Do mais anónimo desgraçado de Darfur ao mais importante homem da Terra, tal como para mim, tudo o que importa é não estar só.

Ter a quem amar.

Em tempos difíceis, a verdade limpa das coisas de sempre, as pequenas, as que importam, ficam à nossa frente.

E pensamos que afinal é só isto, a Vida.

Estar aqui.